Um dia, ao acordar, me olhei no espelho e não vi mais aquela louca vontade de fugir, de mudar, de ser livre ... aquela louca vontade que até então pulsava em mim, mais forte até mesmo, que as próprias batidas do meu coração. Foi aí que entendi tudo: Eu havia finalmente encontrado minha própria liberdade, meu ser se libertara de coisas que me aprisionavam a mim mesma, aos outros, e a tudo que me rodeava. Entendi que mesmo se eu fugisse pra bem longe, e mudasse meu estilo, minhas palavras, minhas músicas, se não tivesse me libertado das correntes interiores continuaria sendo a mesma desesperada cativa de sempre, e aquela vontade confusa continuaria me rondando me fazendo de louca todas as vezes que tentasse compreende-la.
Quando procurei encontrar as respostas de todas as minhas perguntas, descobri que nem tudo precisa seguir exatamente a mesma ordem, nem tudo precisa ser completo e ter uma outra metade. Descobri que nem tudo precisa fazer sentido, assim como nem todas as perguntas precisam ter uma resposta.
Ainda há muito a ser feito, muito a aprender. Preciso ainda passar por grandes mudanças ... quem sabe assim sejam mais breves minhas bonanças. As tempestades continurão constantes eu sei, mas foram elas que me fizeram ser o que sou hoje, talvez grande parte da minha sabedoria devo á elas. E apesar de terrívelmente dramáticas e completamente exaustantes, elas continuarão sendo sempre bem-vindas!
Beatriz Picolomini .
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