sábado, 8 de janeiro de 2011

Tempestades.

Ás vezes me perco em minhas próprias lembrança, ás vezes não sei bem o que é real e o que é sonho. Espero essa tempestade passar pra poder comemorar a chegada do sol, junto com a vitória de ter suportado todas aquelas ondas. Bem, não é tão simples quanto parece, as tempestades aqui geralmente demoram algum tempo pra cessar; ás vezes só param quando o fôlego vai chegando ao fim. Mas mesmo com toda a demora e toda a intensidade elas param, e isso que importa. Não me lembro da primeira que tive de enfrentar... não lembro se foi tão forte como as seguintes, ou se foi um pouco mais calma; a única coisa de que me lembro é que no final veio uma linda bonança, como vem sempre no fim de todas elas.
Um dia, ao acordar, me olhei no espelho e não vi mais aquela louca vontade de fugir, de mudar, de ser livre ... aquela louca vontade que até então pulsava em mim, mais forte até mesmo, que as próprias batidas do meu coração. Foi aí que entendi tudo: Eu havia finalmente encontrado minha própria liberdade, meu ser se libertara de coisas que me aprisionavam a mim mesma, aos outros, e a tudo que me rodeava. Entendi que mesmo se eu fugisse pra bem longe, e mudasse meu estilo, minhas palavras, minhas músicas, se não tivesse me libertado das correntes interiores continuaria sendo a mesma desesperada cativa de sempre, e aquela vontade confusa continuaria me rondando me fazendo de louca todas as vezes que tentasse compreende-la.
Quando procurei encontrar as respostas de todas as minhas perguntas, descobri  que nem tudo precisa seguir exatamente a mesma ordem, nem tudo precisa ser completo e ter uma outra metade. Descobri que nem tudo precisa fazer sentido, assim como nem todas as perguntas precisam ter uma resposta.
Ainda há muito a ser feito, muito a aprender. Preciso ainda passar por grandes mudanças ... quem sabe assim sejam mais breves minhas bonanças. As tempestades continurão constantes eu sei, mas foram elas que me fizeram ser o que sou hoje, talvez grande parte da minha sabedoria devo á elas. E apesar de terrívelmente dramáticas e completamente exaustantes, elas continuarão sendo sempre bem-vindas!


Beatriz Picolomini .

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